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sábado, 3 de setembro de 2011

Semana de medalhas inéditas consagra a emancipação das mulheres no esporte brasileiro


Fabiana Beltrame. Foto: Reuters


Fabiana Murer, do salto com vara. Foto: Reuters 


SÃO PAULO e RIO - O Brasil, governado pela presidente Dilma Rousseff, transforma-se cada vez mais em um país feminino. O sexo que já foi frágil é maioria, segundo o Censo Demográfico 2010: o país, com 190 milhões de habitantes, passou a ter quase 4 milhões de mulheres a mais do que homens. Assim como Dilma, elas comandam empresas, sustentam casas e sobem ao pódio. O esporte vive fase dourada: em uma semana, duas escritas foram derrubadas pela força da delicadeza e da persistência. As Fabianas, Murer e Beltrame, conquistaram ouros inéditos nos mundiais de atletismo e remo.
- Antigamente havia poucas mulheres praticando esporte. Algumas modalidades eram só para homens - lembra Fabiana Murer, ao citar que o salto com vara feminino só passou a fazer parte do Mundial em 1999 e da Olimpíada, em 2000 - Hoje, oportunidades e prêmios são iguais.
A diferença, segundo a campeã, é que as mulheres são mais competitivas e capazes, inclusive, de levar a rivalidade para além das pistas. Superintendente da Confederação Brasileira de Atletismo, Martinho Nobre dos Santos diz que Murer é a grande estrela do Brasil no cenário internacional. Até ontem, os nomes eram de João do Pulo, Joaquim Cruz, Claudinei Quirino...
- Hoje temos mais treinadores trabalhando com o feminino. E também mais meninas praticando esporte.
No Mundial de Daegu, que se encerra hoje, a delegação brasileira tem mais mulheres (15) do que homens (14). Em 2009, em Berlim, foi meio a meio (21 e 21), mas, ainda não há na história do país, uma delegação com maioria feminina em Jogos Olímpicos ou Pan-Americanos. A menor diferença foi em Atenas, em 2004, com 125 homens e 122 mulheres. Em Pequim, 2008, foram 144 homens e 133 mulheres. As novas conquistas podem reduzir as diferenças.
- Tomara que funcione como incentivo - declarou Fabiana Beltrame (na foto, com a filha), dizendo-se mais forte e determinada após a chegada da filha Alice, que subiu ao pódio com a mãe.
Supremacia no tatame
No recente Mundial de Judô, o Brasil teve três medalhas femininas (dois bronzes e uma prata) contra duas masculinas (bronze e prata).
- O judô feminino era atrelado ao masculino. Fazíamos tudo que eles faziam - recorda a técnica da seleção Rosicleia Campos, responsável pela mudança que fez da meio-leve Ketleyn Quadros, a primeira medalhista olímpica individual na modalidade nos Jogos de Pequim-2008.
Dos três ouros que o Brasil trouxe da China, dois vieram das mulheres. Maurren Maggi, já mãe, tornou-se a primeira campeão olímpica individual do Brasil. O vôlei feminino também ganhou medalha inédita.
Tudo começou em 1932, em Los Angeles, quando a nadadora Maria Lenk foi a primeira mulher brasileira numa Olimpíada. As medalhas só viriam em Atlanta, em 1996. Ouro e prata na estreia do vôlei de praia, prata para o basquete e bronze para o vôlei.
- Mostramos que as mulheres podiam - afirma Sandra Pires, dupla de Jaqueline Silva, ao lembrar das manifestações no desfile em carro do corpo de bombeiros - As mulheres nos diziam: "Obrigada por vocês terem conseguido!"
Bicampeão olímpico com as seleções masculina e feminina de vôlei, José Roberto Guimarães decidiu que não volta a treinar homens.
- A mulher se jogou no mundo com competência e arrojo. É algo novo, de uma geração para cá. E hoje tem de deixar para ter filho mais tarde. Elas são mais suscetíveis a influências do meio, em comparação aos homens. Mas também se entregam 100% num projeto. Mesmo conciliando outras quatro, cinco coisas. O homem não tem esta capacidade - disse o técnico da seleção feminina.
Poucos sabem mas o Brasil tem uma atleta em terceiro do ranking mundial no pentatlo moderno. É a pernambucana Yane Marques. Algo inédito na biografia esportiva do Brasil.
- Estamos vivendo uma transição para um momento melhor - acredita Yane - É muito difícil ficar entre as dez melhores do mundo. Mas, ainda há menos mulheres na minha modalidade.

G1.

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