Na última sexta-feira, 9, o governador Ricardo Coutinho concedeu entrevista para a rádio Estadão ESPN, e falou a falta de recursos para a Saúde no País. Ricardo negou que os governadores estejam exigindo a volta da CPMF, ou da criação de um novo imposto, mas sim uma movimentação dos gestores estaduais que concordam quando a presidenta Dilma diz que a Saúde precisa de outras fontes.
“Pensando não apenas no presente ou no seu período de mandato, mas pensando principalmente no futuro, a presidenta Dilma afirmou que a saúde pública precisa de outras fontes de financiamento, e isso é verdade. Quem é gestor, quem é governador, quem é prefeito ou quem está em uma fila de hospital neste momento, quem está esperando por uma cirurgia eletiva ou aguardando um exame, sabe que a saúde precisa de mais recursos”, destacou.
Ricardo Coutinho revelou que há vinte anos atrás os números epidemiológicos do povo brasileiro eram diferenciados, até mesmo pelo fato da população estar vivendo mais: “Hoje a alta complexidade é responsável por um percentual cada vez maior dos atendimentos: transplantes, cardiologia e oncologia. É preciso compreender que isso representa aporte maior de investimentos”.
O governador explicou que para os governadores o importante é dizer que é necessária a ampliação de fontes, e sugeriu que esses recursos podem vir do pré-sal, da taxação maior na produção de bebidas alcoólicas e de cigarros ou até mesmo de outras fontes que existam dentro do orçamento da república.
“Eu gostaria muito de viver em um mundo onde não existissem impostos, mas qualquer sociedade, da antiguidade ou da modernidade, sabe que a prestação de serviços públicos é um dos amálgamas fundamentais para manter organizada essa sociedade”, disse.
Mais uma vez Ricardo enfatizou que os governadores não estão defendendo a criação de um imposto ou ampliação de alguma fonte: “A primeira questão que estamos dizendo é que a saúde precisa de um aporte maior de recursos, e isso é verdade e indiscutível”.
Indagado sobre a possibilidade de alguns gestores estaduais estarem se escondendo com a volta da CPMF, como forma de justificar que a saúde no seu Estado não vai bem, Ricardo Coutinho explicou que a saúde sofre de problemas de gestão, como acontece também em outros países, e disse que o custo é alto, mas que o desperdício também é.
Apesar desta afirmação, ele falou que mesmo que vivêssemos no melhor dos serviços públicos, seria impossível acompanhar essa mudança no perfil epidemiológico com os mesmos recursos que são destinados atualmente para a saúde pública: “O Brasil é um dos países em desenvolvimento que menos investe, em relação a sua população, na questão da saúde pública, mesmo tendo um Sistema Único de Saúde extremamente qualificado, pois é integral e universal. (...) Todos os tratamentos mais caros são oferecidos pelo SUS, além da atenção básica”.
Para uma segunda etapa, o governador da Paraíba disse defender que esse repasse primeiramente seja aditivo dessa nova fonte (que pode não ser um novo imposto), mas que não “entre por uma porta e saia por outra, e fique tudo na mesma”.
Finalizando a entrevista, Ricardo Coutinho falou sobre a possibilidade que os estados e municípios pactuem com a União metas e objetivos que deverão ser perseguidos para a melhora dos indicadores sociais, particularmente na saúde “dentro de seis ou sete anos”.
WSCOM Online
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